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Acessibilidade: um conceito que se expande
Quando sofri o acidente de carro que me tirou os movimentos do
pescoço para baixo, deparei-me com um universo novo que fui obrigada
a enfrentar. Tive não só de me adaptar às condições do meu novo
corpo, mas também do mundo ao meu redor. Encontrei inúmeras barreiras
que impediam o meu ir e vir – uma infinidade de escadas, desníveis
e lugares totalmente intransponíveis para a minha cadeira de
rodas.
Em 1994, quando tive de encarar a tetraplegia, as condições de
acessibilidade (palavra que significa qualidade do que é acessível, ou
seja, aquilo a que se pode chegar) dos locais por onde eu passava eram
bem precárias. Foi então que me juntei a um grupo já bem formado de
brasileiros com deficiência que gritava por aquilo que lhes garantia a
Constituição: o direito de ir e vir, a igualdade, enfim, ter qualidade de
vida. Afinal, pagamos impostos, contribuímos como cidadãos. Então,
por que somos obrigados a brigar, e muito, pelos nossos direitos?
Hoje, vislumbramos um Brasil mais democrático para essas pessoas
do que aquele de 94. Mas estamos ainda trilhando o caminho do
ideal. Algumas cidades, como São Paulo, já estão se estruturando para
receber as pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida com mais
dignidade. E este manual que você lê agora se propõe a disseminar
conceitos empenhados na maior cidade do Brasil, como o Desenho
Universal, bem como dar dicas de como trabalhar nas diversas áreas
da inclusão: saúde, educação, comunicação, esporte, lazer, cultura,
transporte, entre muitas outras. As nossas cidades precisam se
adequar para receber toda a diversidade humana: sejam pessoas com
deficiência física permanente ou temporária, pessoas com deficiência
auditiva, visual, intelectual ou surdocegas.
Seja inclusivo. Trabalhe essa ideia na sua cidade. Seja um cidadão,
um executor e gestor público a serviço da democracia, da acessibilidade.
Vinte e quatro milhões de brasileiros contam com você.
Mara Gabrilli
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